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Apesar do prestígio científico de que gozavam muitos dos membros da comunidade judaica e do grande impulso que em geral imprimiram à sociedade espanhola do seu tempo, os Reis Católicos expulsam os judeus de Espanha em 1492. É assim que Zacuto entra em Portugal. Não entra, porém, como um desconhecido. A sua fama como astrólogo devia ser conhecida desde há muito na corte através de José Vizinho, seu discípulo, e de D. Diego Ortiz (Calçadilha) que tinha sido professor de Astrologia na Universidade de Salamanca entre 1463 e 1476 e que, por ter sido partidário da Beltraneja, se refugiara na corte portuguesa onde gozava de muito prestígio. A aceitação de Zacuto na corte de D. João II pode ser comprovada logo a 9 de Julho de 1493, através de um recibo relativo a um pagamento efectuado por ordem real e por si assinado em hebreu: "R. Abraham Zacut astrónomo do rei João". Aliás, no cólofon do seu Almanaque Perpétuo, edição de Leiria (1496), também usa o mesmo título relativamente a D. Manuel: ". Raby abraham zacuti astronomi serenisimi Regis Emanuel Rex portugalie..."
No princípio do século XIX foi encontrado uma obra de 1555 em que podia ser apreciada a maneira árabe de navegar não só dessa época, mas de outras que lhe seriam bastantes anteriores, o Muhit, do almirante turco Sidi Ali B.H. Tchelebi. Os textos contidos no Muhit são uma compilação dos trabalhos árabes sobre navegação que Sidi Ali conseguiu reunir durante a sua permanência de três anos na zona de Guzerate, quando aí esteve para levar para o Egipto o que restava da esquadra Turca que tinha cercado Ormuz com grandes perdas, e que depois de várias vicissitudes face à ameaça naval de Goa, se refugiara em portos amigos. Não sendo Sidi Ali um profissional do mar, mas talvez um alto funcionário ligado a assuntos de astronomia da corte de Suleiman o Magnífico, os seus trabalhos de navegação não têm marca pessoal nem crítica, e mistura por vezes alguns dos procedimentos dos pilotos portugueses, de que também teve conhecimento, com a navegação árabe.
Sep.:"Actas do II Colóquio Panorama e perspectivas actuais da História Militar em Portugal